sábado, 2 de maio de 2015

Para sempre a minha Moça da Janela

        Manhã fresca de principio de outubro, as folhas começaram a mudar de cor, o vento já trazia outro aroma, e eu caminhava mais uma vez para o meu destino de todas os dias. Era normal naquele horário ver poucas pessoas pela rua, normal também poder escutar o barulho dos meus passos quando pisava o chão. Eu carregava alguém no pensamento, carregava comigo ainda, a mesma moça de sorriso doce e olhos negros que um dia eu conheci, em um destes meus caminhos. A moça dos meus encantos, que hoje é minha, e que faz com que meu coração não pare de bater.
      Estranho olhar ela, estranho lembrar a forma que eu a conheci, tão delicada, com sonhos saltando dos olhos, olhos que miravam algo que nem ela sabia onde estava. A moça que me causou sentimentos que jamais poderei explicar, que mexeu com alguma coisa em mim que talvez eu nunca descubra. Mas que me instigou e me surpreendeu com a facilidade com que ela sorri. Nenhuma janela será a mesma depois dela, nenhuma janela me provocara o instinto como um dia aquela me provocou. 
       A moça de pele morena que virou poema e canção, cabelos e olhos que formam o mais lindo contraste. A moça que embelezou certa vez a janela, sempre será a moça daquela janela. Talvez o tempo tenha a feito colocar mais os pés no chão, talvez até mesmo eu com essa minha vontade de lhe fazer todas as vontades, tenha afastado a magia daquele coração. Talvez os dias, os acontecimentos e oportunidades tenham feito ela diferente, momentaneamente, mas diferente. Eu sei, por ser este desatinado enamorado, que a moça dos meus sonhos mais ardentes ainda está ali, e sei que ela também sabe disso.
      E hoje, depois de ter parado um pouco para pensar nela, e pensar em nós, tenho certeza que podemos nos reencontrar, no silencio dos nossos sonhos e nas palavras soltas dos nossos desejos. E se um dia, fiz a moça mais encantadora ser minha, e olhar para mim, mesmo tendo tantos outros lugares improváveis para olhar, sei que ela ainda é minha, e será assim enquanto os nossos corações se entenderem em pensamento, em olhares e sorrisos. E logo, quando em casa eu chegar, sei o que devo fazer, como fiz tantas vezes. Ela estará sentada no sofá, com seus pensamentos inimagináveis, eu lhe trarei rosas, que farão com que ela mude o pensamento e me olhe, me ofertará um mate, ou algo que esteja ao seu alcance, eu me aconchegarei em seus braços, pedirei e darei carinho, e nós, começaremos tudo de novo. Porque ali, naqueles corações, existe amor!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Premiação Concurso Literário Pérola da Lagoa

Ao abrir o email hoje cedo, recebi a notícia da premiação. O conto 'A História da Tapera' recebeu o 1º lugar no Concurso Literário Pérola da Lagoa. Fazia tempo que não mandava nada, e muito menos escrevia, fiquei muito feliz com a premiação, fez com que meu coração enxergasse que eu não posso abandonar a poesia.

A História da Tapera
O dia era frio, mudara assim como um piscar de olhos, a garoa era fina, mas suficiente para fazer barro na estrada que passa ao lado. Pelo clima, o passeio e os jogos das crianças que brincavam por ali haviam acalmado. O fogão a lenha esquenta a casa e as pessoas que estão ali. Na velha tapera no outro lado da estrada, Dona Maria, meio adoentada, bordava uns vestidos que a neta deixou quando passou por lá dias atrás. Lembrava feliz do rosto da neta, tão lindo e tão parecido com o da mãe. Perdera a filha para os compromissos, para o cotidiano, e para as indiferenças. A vida encurtava seus sonhos e desejos a cada dia, pequenos pedaços de um livro sem fim.
O leiteiro chegou trazendo as mesmas encomendas de sempre, também trazia noticias do lugar que nunca conheceu. Não haviam remédios nem como comprá-los, por isso a doença ficava cada vez pior. Era agosto, inverno dos mais rigorosos do sul, o leiteiro vinha com freqüência , e ficava uns momentos com ela, a fazia sorrir e esquecer as dores do corpo e da alma. No final da tarde, um barulho estranho lhe apertou o peito, de dor e de medo. Um carro vermelho entrava na ‘porteira’, não sabia dizer se era moderno, quase nem os conhecia. Reconheceu apenas a voz da neta, com certeza viera buscar o bordado que fez com um carinho maior do que ela, terminou a tempos, mas não tinha como avisá-la.  Outra voz então chegou a pequena sala, que abrigava também a velha máquina de costura, um antigo baú de família e um cachorrinho, tão velho e tão adoentado quanto ela. A voz que chegou ela conhecia, mas subitamente lhe vinha algo tentando lhe dizer que não deveria conhecer. O sonho daquele reencontro estava na sua frente, e ela não sabia nem o que deveria fazer.
Isabella, filha de Dona Maria, rendeu-se as correrias e ao destino que as afastou, criou coragem e procurou a mãe. Havia ficado sabendo através da filha, que visitava a avó com freqüência, sobre a doença, se preocupou e esqueceu todas as magoas que quando moça causou e sentiu.  Dois dias, e os pulmões de Dona Maria estavam cada vez piores, o frio do sul insistia em ser forte. À noite, o silencio na pequena casa preocupou o coração de Isabella. Levantou-se e seguiu ao quarto da mãe. Dona Maria não resistiu, o setembro chegara para levá-la. Morrera feliz, reencontrou a filha e neta, lhe bordou o vestido de casamento, sabia que o escolhido era um bom rapaz e encheu os olhos de lágrimas ao saber que havia um bisneto a caminho.
       Ela acabou o bordado, ela abraçou Isabella, ela sorriu e deixou a pequena tapera.



Emanuelle Freitas

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Amor, uma vez só


 A chuva fina, agora escorre pelas janelas velhas daquele galpão
Onde em silêncio dois corações apaixonados se amam
 E a própria gota da chuva desenha o que aquele lugar esconde.
Amor.
Algo inexplicável que muitas vezes a gente só conhece uma vez
E de um jeito que aqueles dois enamorados talvez nunca mais sintam
Com uma intensidade feroz, coisa de quem não amanhã
Desejo de ter, de sentir e de existir para outra pessoa
A emoção mais incrível que alguém pode sentir
Mais algumas horas se passam e lentamente o galpão se acalma
E num suspirar profundo pode se ver que alguém ali, amou.

O Amor que não acaba


       Talvez aquele príncipe não seja tão encantado assim, e mais uma vez os sonhos inocentes daquela moça da janela tenham se perdido, se confundido para nunca mais serem os mesmos. Talvez tenha sido só um tempo bom, um começo bom, coisas boas e incríveis que acontecem só para que um dia a gente diga que aconteceu em nossas vidas.
       A moça mais uma vez sonhou, e acreditou que tudo era verdadeiro, inacabável e que para sempre as coisas seriam assim. Simples, sofrer não é bem a palavra correta, usaremos o termo ‘decepção’. Sim, quando acreditamos demais em um amor, idolatramos ele de tal maneira que dói, dói o amor por ser bonito, por fazer sentir e por fazer sorrir.
         De qualquer forma, acabando ou continuando, não será do mesmo jeito, o coração perdeu as esperanças, e a moça não quer mais acreditar em um futuro próspero e feliz. Ela vai viver, simplesmente continuar vivendo ao lado dele, não será capaz de magoá-lo de maneira alguma, apenas será diferente, talvez um tanto triste, porque a confiança acabou.
                Mas nem por isso, toda a poesia que existe num coração que um dia foi feliz acaba. Ela permanece ali, intacta, para que um seja acordada, por um novo amor, ou até mesmo por aquele amor que mudou o rumo da história.
                E agora, vamos sonhar com o amanhã, sonhar com o mais belo e lindo de todos os amores, vamos sentir, amar, viver. Esquecer que um dia a moça acreditou, a moça amou e a moça entregou o coração que não era feito para machucar. A moça vai viver sem sonhar, sem sonhar apenas com aquele amor.

P.S A Moça da Janela ao Lado

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Moça da Janela Ao Lado IX


Depois da chuva e do temporal me vejo ali, ao lado da minha moça, ao lado daquela que tanto desejei, junto de quem esteve em meus sonhos, e minhas lembranças e que agora esta ali, sorrindo, somente para mim. A minha moça tornou-se minha, de verdade com todo o sentimento, com todo carinho e o respeito que eu sei, merecia. Nos encontramos por fim no olhar, na vontade mutua de estarmos juntos e de jamais nos separarmos.
Porque eu já sabia, desde o dia que há vi na naquela janela, com olhos fixos num horizonte desconhecido por este coração, que somente conhecia a aquela beleza. Quem dera eu pudesse imaginar que um dia aquele coração seria meu, quem dera eu pudesse acreditar que não só o coração um dia eu sentiria junto ao meu, mas o todo, desde um gesto até o mais aconchegante dos silêncios.
Ela me diz com palavras doces que somente eu para não acreditar naquele amor, pobre, não sabe nem a metade das minhas aflições, não imagina quantos noites de sono ‘não’ existiram. Sabe, isso sabe, sem duvida desde o principio, que eu sou um louco apaixonado, e que hoje eu e ela somos um só.
Refiz meus planos, coloco ela desde então todos os dias em meus sonhos, praticamente esqueci o trabalho, comprei um pedacinho de terra num interior, lugarzinho escondido de tudo que nos cause problemas. E é lá, naquele finzinho de mundo, que eu quero viver com a minha moça, que viver e senti-la em meus braços. Aquela, que linda como sempre hoje é a minha mulher, e que sabe que foi quem eu escolhi para estar comigo em todos os dias que ainda restarem, nos dias de chuva debaixo do cobertor, num dia de sol, tomando aquele mate. Quem eu escolhi para ser mãe dos meus filhos, e ser simples e eternamente a dona do meu coração.




P.S como em todas as outras, para quem me fez acreditar na Moça da Janela ao lado

segunda-feira, 5 de março de 2012

Se eu soubesse

Se eu soubesse que te perderia
Rápido assim, como um raposa
Não teria desperdiçado meus dias
Longe dos teus carinhos

Se eu pudesse adivinhar o futuro
Não teria planejado tanto o presente
Teria apenas vivido, e te sentido
Mesmo sendo ausente

Ah, se eu imaginasse a distancia,
E a dor que ela pode causar
Teria te posto em poesia todos os dias
E te feito magia, vida minha

E se eu pudesse te fazer voltar
Te pediria para não me deixar
E para  sentar na grama e me fazer dormir
Para em sonhos eu de novo te amar.

 P.S A Moça da Janela ao Ldo

Lembranças

   É fevereiro e o sol ainda acorda a todos com raios quase insuportáveis de verão, partimos em busca de memórias, em busca de verdades, em busca de histórias que ainda não conhecia. O destino era a Vila Ana Vitória, nome herdado pela precursora daquele vilarejo, minha bisavó paterna. Era isto que eu precisava, novas histórias que me pusessem mais perto daquela realidade, daquele mundo tão próximo a mim, porém tão distante.
   Ruazinhas, igrejinhas, estradinhas e casinhas, um diminutivo tão delicado e tão real. Logo vejo o único campo de futebol existente naquele lugar, a única diversão daquelas pessoas, esquecidas e m seu simples e encantador lugar. E as lembranças da minha infância retornam a meu pensamento, o campo onde a muito tempo meu avô, meu pai e me tio dividiram com mais uma dúzia de parentes. Estar aqui, é como estar sentada em baixo da figueira do sitio escutando meu avô contar uns contos, é tudo tão real e igual a tudo que ele me contou ser. Tudo simples, mas o calor e o carinho que eles guardam para a nossa chegada, é inexplicável. Nos esperavam com a mesa repleta de delicias preparadas desde o dia anterior para o nosso café. É incrível como as lembranças são fortes, a figueira na entrada, as estufas de fumo, plantações, o açude antes repleto de peixe e hoje vazio, por causa de algum ‘guri’ que andou fazendo ‘arte’ por lá.
     Mas acima de tudo, o mais curioso nesta família é a semelhança que eles passam a ter ao longo dos tempos, tanto na forma irônica e debochada de contar causos, como na fisionomia, aquela pele bronzeada pela lavoura, os olhos felizes e o sorriso encabulado. Hoje, aqui neste lugar, me sinto realmente em casa, este é o mundo meu, este é o lugar que sempre quis estar, é o lugar das histórias que escutei quando pequena, é o lugar das aventuras e de tantos amores de toda uma família. Me permiti retrilhar os caminhos dos meus bisavôs, primeiros moradores daquela localidade, das lembranças de infância do meus avô e seus dez irmãos, os esconderijos nas casas dos tios do meu pai e meu dindo. Conheci casas novas, e também somente o que restou de onde um dia alguém viveu, me aproximei daqueles que sempre quis ter por perto, refiz planos e fiz promessas.
      Por fim, descobri que não posso permitir esta distancia, duas horas e poucos quilômetros apenas não podem afastar uma história de mais de 100. E na despedida fica a promessa de não ficar tanto tempo distante, a promessa de outras visitas, a felicidade por levar alguém junto comigo para conhecer tudo aquilo que gosto tanto, e se encantar com a simplicidade e beleza. Gerações reunidas por um único motivo, honrar e retribuir o carinho e afeto que aprenderam um dia a ter.


04 de março de 2012
Sentinela do Sul –RS
Vila Ana Vitória

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Bem mais que um tempo

Hoje reencontrei um professor do ensino fundamental, é normal encontrar ex-professores, mas não tão normal assim ouvir deles coisas que durante 5 anos eles nunca tiveram coragem de dizer. Lembrei então das estrepolias e invenções super criativas daquele tempo. Como pode algo que aconteceu a tão pouco acabar sumindo das nossas memórias e sonhos mais reais. Confesso que entendo completamente o motivo das minhas recuperações e provões, como que alguém que passa dois periodos fora da sala na aula de Física, vai lembrar o que é lei de Coulomb na hora da prova. Como que eu não quero que aquelas crianças lindas que eram minhas alunas de dança durante a minha 6ª série, não crescam e como que eu não acredito quando as encontro e percebo que elas são maiores que eu, (não precisa muito para ser maior que eu). O que eu posso fazer para um dia reunir toda aquela turma tão REBELDE, que em todos os intervalos se reuniam no refeitório ou para contar histórias, ou para mostrar uma música nova ou até mesmo para namorar escondido dos olhos da monitora. Como que eu não entendo o porque de o meu cabelo estar deste jeito, se a maior alegria era chegar no pátio da escola e saber que todo mundo ia notar meu cabelo Pica-Pau, sim eu já tive um cabelo vermelho. Impossivel saber que hoje a minha melhor amiga ta fazendo 18, eu conheci ela com 11, fiz uma homegem nos 15, rimos e brincamos durante toda a festa, e hoje tem 18. E que a outra pequena, com quem eu montava o acampamento mais equipado que uma criança pode ter, e com quem eu tive as maiores aventuras da minha infância, cresceu, e eu esqueci que prometi que iriamos procurar até encontrar a fórmula do Pirinpimpim do Peter Pan. Porque tudo era fácil, era até mais fácil amar, a gente contava o segredo apenas para mais companheira, se tivesse coragem até mandava um bilhetinho. Nossa, como eu já fugi destes bilhetinhos, tenho até uma cicatriz na perna para provar que não era mentira. O professor me olhou sério e disse, 'vocês pediam para ir falar com a diretora as 13h e 15min. e até o final da minha aula não tinham terminado o assunto..', me cortou o coração, será que ele achava que realmente iamos falar com a diretora, ou melhor, será que ela iria nos receber sabendo que estavamos em horario de aula. É, já faz algum tempo que me afastei daquele tempo, e com este tempo foram todas as histórias e lembranças, todoas as brincadeiras, os deboches, as músicas de um teor poético altissimo, os amigos, os colegas, os ecritores, os cantores e os atletas. Chegamos em um tempo em que isto tudo muda, e passamos a ter novos atletas, poetas e amigos, mas que jamais iremos esquecer daqueles que durante muito tempo, foram os protagonistas principais do livro da nossa vida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Depois de Um Sonho

Depois da chuva e do temporal
Depois do frio que escureceu o céu
Ao longe delicados olhos irradiam a luz que outrora perdi.

Depois que tudo passou
Depois que o dia acabou
O vento te carregou em silencio, outra vez, para perto de mim.

E depois que te senti presente
E fechei os meus olhos para com tua alma adormecer
Descobri que em nenhum instante foste apenas este sonho
De acalmou o meu sono e alegrou meu viver.
 P.S A Moça da Tua Janela

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Segredos da Lua

No céu a lua encantava meus olhos que cansados já não a admiravam com o entusiasmo que merecia.  Ela havia encantado minhas noites e meus mais lindos sonhos. Iluminou aquele rosto que me admirava em silêncio, e navegava em meus desejos sem pedir permissão. Mais uma noite acabava em suspiros de saudade precoce, saudade sem conserto antes de uma semana. Talvez aqueles dias todos passassem rápido, ou talvez desfilassem pacientemente como o casal de tartarugas que admiramos dias atrás. As ondas sorriam tanto quanto nós, e já sentiam falta daquelas palavras sussurradas que dançavam com o vento, inconscientes. Meus olhos fitavam os teus, que a poucos centímetros estavam dos meus, brilhavam e me encantavam cada vez mais, e no rádio uma música dizia, mais ou menos assim: ‘Não chores morena se à noite sinuela, povoar de estrelas teu meigo sonhar, E quando enxergares a estrela cadente, é meu sonho insistente a te cortejar’. Meu coração acelerava, a despedida se aproximava, e nenhum de nós desejou tal sofrimento. Queríamos mais horas juntos, mais abraços, mais tardes onde ninguém precisasse falar nada e em que pudéssemos escutar apenas a batida dos nossos corações. Desejávamos mais palavras, mais declarações, mais beijos e mais aquilo tudo que durava sempre, tão pouco tempo. Por fim não houve saída, te abandonei, mas deixei um pouco de mim contigo, era sempre assim, não conseguia sequer olhar para trás. Era sempre como se fosse um para sempre ou nunca mais, tamanha saudade e tamanha vontade de estar perto de ti.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fadas

Depois de dias de saudade, a bela moça rendeu-se aos encantos do jovem cantor, que ofereceu-lhe versos, trocou caricias, e novamente, fez juras intermináveis. Ela sabe o sentido de render-se, e ele incrivelmente também sabia. Ele desconhecia verdades, desconhecia também tudo que era real, assim como ela. Se perdiam em olhares, em desejos, não pretendiam tão cedo saber o que o destino lhes esperava. Em outro paraíso, uma bela flor, acabara de desabrochar. Esta flor trazia consigo uma missão, mais intensa e difícil, impossível de ser transportada por outro ser. A moça lembrava o real sentido do amor, pensou tanto em outras coisas, em outros projetos e planos, que esqueceu o quão bom era ter aquele aperto no coração, o frio na barriga, a pela lentamente arrepiando, sem que ela precisasse fazer algum esforço. Então, decidiu se desfazer dos velhos e importantes planos, afinal de contas, o que seria de uma fada, de uma flor ou de uma linda mulher, sem um sorriso apaixonado no rosto. Depois de tantos dias de sol,  na beira do rio, rendeu-se mais uma vez, aos segredos imaginários de um amor qualquer, qualquer amor que a fizesse amar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Depois de 'um' dia

Depois de uma dia como hoje, descobri que não existem dias perfeitos. Também descobri que não vale muito apena ser o que a outra pessoa gostaria que você fosse. Descobri muitas vezes que o melhor é não planejar, o certo é entregar as passagens e a confirmação de diária sem a outra não ter nem tempo para pensar. Descobri que coisas ditas uma unica vez ao pé do ouvido como segredo, são mais lembradas do que aquelas que repetimos inúmeras vezes, com um imenso medo de serem esquecidas. Ah, eu descobri tantas coisas hoje. Descobri que vale mais apena acordar com um lindo sorriso, e esquecer o final do dia anterior, do que lembrar e tentar e resolver, muitas vezes o coração só dói mais. Descobri que no meu coração, ainda cabem muitos amores, tirando aquele, que eu não quero que saia 'dali', tão cedo. Descobri também, que é bom ter companhia em noites de chuva e vento forte para dormir, é bom ter alguém para implorar para não te abandonar ali. Tem outra, descobri também que não adianta esperar mais por aquela ligação, que depois de um ano não chegou, pode ser que se eu parar de esperar ela chegue. Descobri que corações apaixonados doem muito, e que não existe remédio para curar ele ainda, e que se existe, não pode ser divulgado, porque se não, nenhum ser desta terra, amaria mais. Eu descobri que tenho um ombro para chorar, um amigo para ouvir e colega para rir, e descobri que tudo isto com chocolate é muito bom. Descobri que atenção demais cansa, e de menos machuca. Descobri que sinto falta de mais carinho. Descobri que não preciso mais esperar por aquele verso as escuras, no pedaço do guardanapo no restaurante, porque os homens já não acreditam mais nestas crendices. Ah, e também  não valorizam noites desperdiçadas sonhando com eles (que se pronuncie quem pense diferente). Eu descobri enfim, coisas tão simples de descobrir, mas que os olhos e o coração muitas vezes não querem descobrir. E descobri a melhor coisa de todas, eu descobri que SOU FELIZ.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Moça da Janela ao Lado VIII

       A Moça da Janela estava perdida em meus pensamentos, perdida em meus sonhos, e em todos os meus antigos desejos. Sim, porque os desejos mudam, os desejos são colocados em pedestais assim como são esquecidos, deixados de lado, como uma poesia sem rima. Hoje eu ela somos bem mais que um só, e ela não é mais um destes desejos, é a minha realidade.
       Fez um ano no mês passado, um ano que esta nossa história começou a existir. Bem, na verdade um ano que me apaixonei por aqueles olhos, e que tive a certeza de que minha vida só seria completa, se ela, aquela linda moça, estivesse ao meu lado. E minha insistência fez com que ela finalmente estivesse. Hoje ela é a minha mulher, minha amante, companheira, alguém que faz de mim alguém melhor. E ela sabe, sabe a importância que tem em minha vida, e o quanto a nossa história pode ser importante no futuro. Digam-me, quantas histórias como esta você já ouviu, quantas histórias que começam desta forma você já ficou sabendo? Eu, garanto que desconheço amor mais lindo que este.
       E mesmo longe sinto ela perto de mim, e quando perto, de tão perto, sinto a distancia e a saudade antecipada. Somos fiéis ao nosso amor, conquistei isto nela, consegui. Sei que o coração dela percebe o que sinto, e compreende tamanho amor que tive ao me entregar a ela.  Nós dois sabemos que tudo que passamos juntos até hoje, vale bem mais que estas palavras que acabei de escrever.
      Um segundo, só um segundo, ela chegou...

Premiação Centro de Escritores Lourencianos

Hoje, quero dividir com todos minha felicidade, acabei de receber a noticia da premiação do Concurso Literário Pérola da Lagoa, organizado pelo Centro de Escritores Lourencianos. Ano passado me classifiquei com o primeiro lugar, na categoria "Conto", este ano foi a vez da poesia, com ela classifiquei 'Segredo', em segundo lugar. Esse premio, dedico a uma professora em especial, que quando disse que não sabia escrever poesia, me respondeu 'Um poeta escreve qualquer e todas as coisas'. Obrigada por esta dica! Segue então o poema:

Segredo

Comparei os teus olhos, com as gostas da chuva,
Que disfarçam e caem em uma noite qualquer
O teu sorriso, bem mais que um desejo,
Encanta meu pensamento na luz do luar

Fechei os meus olhos para sentir teu perfume
Que exala em mim, um cheiro flor.
Meu corpo no teu, se unindo em poema.
Pra tirar a tristeza, mera dor sem fim.

Protegi o teu sonho, mais sagrada magia
Enfeitando a luz, da estrela no céu.
O mistério da noite, ironizou o teu beijo
Delicado segredo, que guardou junto a mim

O coração acelera, na velocidade do tempo
Acalmando o momento, com beleza e com paz
A verdade bem dita, vale mais que o tesouro,
Hoje presente, nessa história de amor.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Confidências

         A lua tomava conta dos espaços mais insanos do meu coração, aquela noite, todas aquelas estrelas brilhando no céu, um frio que invadia até mesmo minha mente, vazia de sonhos e inspirações. De longe eu te olhava e admirava os pequenos detalhes, visíveis somente aos meus olhos loucamente apaixonados. Imaginava o que seria de nós dois em uma noite fria como aquelas, a meia luz e saboreando um vinho, fazendo juras nem tão secretas assim. Eu sorria a cada vez que me olhavas, e disfarçava os desejos meus. Meu sorriso era tímido igual ao sorriso que a lua tinha naquela noite.
       Eu sabia que mais uma vez estava me entregando aos teus mistérios, aos segredos do teu olhar, a magia que cada beijo teu tem. E tu te rendias assim como eu, graças a minha insistência, e a minha louca vontade de te ter cada dia mais ao meu lado. É, é maluca mesmo essa coisa de paixão e amor, chega quando a gente menos imagina e quando a gente mais precisa. E sem a gente nem se dar conta, ocupa um espaço incrivelmente importante em um coração tão carente de afeto.
       E acaba encontrando naquela pessoa, coisas que a gente procurou durante muito tempo, e julgou até mesmo nunca encontrar. A gente encontra na outra pessoa o consolo que nunca teve em troca, o beijo apaixonado e que tira o fôlego, que sempre faltou um pouquinho para acontecer. E a gente até mesmo fecha os olhos, e que confia naquele corpo que ao teu lado te aquece, e te protege durante a noite mais assustadora do mundo.
       Enfim, eu criei coragem para entregar meu coração ao novo e inesquecível amor. Mesmo sabendo que brigas, desentendimentos, palavras mal explicadas seriam comuns. E hoje tenho ao meu lado alguém que não precisa nada para me fazer feliz, o sorriso e a felicidade que eu encontro naqueles olhos, são suficientes para eu acreditar que quando a gente menos imagina, bate um presentinho a nossa porta, para fazer toda diferença em uma vida, que já não tinha graça. 

 P.S ao amores

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sonho Intímo

Não quero mais segredos, nem ter medo de contá-los
Quero apenas sentir teu corpo se aproximando do meu
E teus olhos me devorando em silêncio
Sem mistérios e nostalgias pra complicar o meu prazer

Eu quero tardes de sossego e calmaria
De mil promessas e constantes alegrias
Te quero ao meu lado como o mais intenso desejo
Debaixo da figueira em sinfonia num dia de sol

Formar contigo um corpo só, sem pressa
Dividir contigo os meus medos e anseios
Desvendar os teus segredos, e te tornar o meu

Quero agora mais do que nunca tua boca perto da minha
Tua mão escorregando em cada desconhecido meu,
Quero o calor aquecendo o meu sono
E te quero como um pecado, sempre.

Relembrando

   Buenas, esta crônica foi postada pela primeira vez em outubro de 2010, e hoje decidi coloca-lá novamente, para tentar fazer uma pequena e singela homenagem, a uma pessoa que amo muito. Na ultima semana minha avó, foi hospitalizada com uma pequena infecção nos pulmões, e hoje está na UTI do Hospital São Francisco de Paula (Pelotas), sendo monitorada por excelentes médicos. Sei que as coisas não estão fáceis, mas acredito na vontade dela de ficar boa.

ANTIGAMENTE

Hoje, diferente dos outros dias, me peguei lembrando da infância, mas aquelas lembranças enroladas com saudade. O tempo amanheceu feio, escuro, quase chovendo, e eu lembrei das inúmeras tardes que minha responsabilidade era apenas estudar. Todos os dias de chuva, com charme e denguinho, fazendo um beicinho pra mãe ou pro pai, eu conseguia inverter as situações e faltar a aula. E a programação era certa. Bolo e pipoca na casa da vó,  filmezinho com a mãe, ou passei para ver o ‘grande’ movimento na praia com o pai. Naquele tempo, eu ainda era filha única, e todos os carinhos eram reservados a princesinha da casa.
Me permiti perceber o quanto incrível são essas sensações, e o quanto nós não valorizamos estas atitudes, estes tempos e momentos dedicados a nós, com o maior  e mais verdadeiro amor. Depois que a gente ‘cresce’, a gente percebe que falta faz um carinho assim. A gente percebe o quão diferente seria se pudéssemos nos desligar do trabalho, da vida pessoal, da escola, pra repetir estes momentos. Percebemos a importância que tem nas nossas vidas cada gesto e cada atitude. A vó que mora longe, a outra vó que já não pode se dedicar só pra gente, os vôs que nos deixaram e que nos guiam lá do céu. A mãe e o pai, que tem mais duas mocinhas na volta, pra dedicar todas estas coisas também.
           Agora nos resta recordar e preservar estas lembranças, pois um dia vai ser a nossa vez de repeti-las, com os filhos, os netos ou os sobrinhos. Vale hoje, manter em nossos pensamentos, que todas estas lembranças se incluem no nosso crescimento, no amadurecimento pessoal de cada um. Foi o bolinho de chuva, foi o café com leite condensado, foi a ‘cueca’ frita.. Foi um carinho, e é o amor!