Não me deixe viver o que posso,
que me seja permitido desaprender os limites.
(Carpinejar)
E beijo vai, e carinho vem, um suspiro silencioso encerrou aquela interminável troca de carinhos, e de calor. Calor, que esquenta, calor que aquece, calor que faz suar, calor que deixa o vidro do carro embaçado. Ah, eu estou narrando uma história, havia prometido não narrar, queria entregar a moça todos estes textos como um romance, daqueles que via minha mãe lendo quando era novo, e dizia ser coisa de ‘mulherzinha’. Lembrando do vidro embaçado, lembro também do circulador de ar que liguei durante aquele encontro. ‘Maldito’, acabou com a bateria do carro e o que falar para ela, que mesmo preocupada não tirou o sorriso por nenhum instante daquele lindo rosto. Depois de algumas horas, e da cidade inteira estar completamente vazia, resolvemos o problema, e ela mais uma vez me surpreendeu, me dando um beijo demorado no rosto enquanto eu começava a dirigir.